Forum Permanente em Defesa da Vida

Fibria articula novo empréstimo
e mira retomada para 2013


Nerter Samora


Depois de confirmar a venda da unidade Guaíba (RS), a Fibria (ex-Aracruz Celulose) negocia com bancos no exterior um novo empréstimo para rolar dívidas com as perdas nas operações com derivativos junto aos credores. O empréstimo, estimado em US$ 1,2 bilhão, faz parte da estratégia de gestão das dívidas herdadas na fusão. A previsão é que a retomada da companhia aconteça apenas em 2013.

Essa deverá ser a primeira vez que a empresa não recorre à salvação com dinheiro público. Mesmo após o duro golpe com as perdas, tanto o grupo Votorantim quanto a própria Aracruz se movimentaram para viabilizar a nova gigante da celulose. Para isso, os executivos recorreram a um antigo parceiro, o BNDES, que, mesmo excluído da vida da empresa, foi lembrado na operação de socorro da fusão.

Segundo informações do jornal “Valor Econômico”, o objetivo da empresa é sair do sufoco das dívidas de curto prazo e otimizar sua estrutura de capital de forma a voltar ao grau de investimento em um prazo de 12 a 18 meses e conseguir fôlego para começar a crescer em 2013. Com a venda da unidade no Sul do País, o foco da empresa está na unidade em Barra do Riacho, batizada agora de unidade Aracruz.

O mercado cogita que a Fibria tem condições de abrir novas fábricas a um custo competitivo, mas precisa primeiro reduzir sua alavancagem e tirar a pressão de vencimentos em 2010 e 2011. Além das dívidas de US$ 2,13 bilhões com derivativos, pesam sobre a empresa R$ 5,4 bilhões da aquisição do controle da Aracruz, dos quais R$ 1,4 bilhão foi pago em 2009 e R$ 4 bilhões vencem durante 2010 e 2011.

Até sofrer com os impactos da crise financeira internacional, a Aracruz tinha uma exposição de US$ 10 bilhões em derivativos. No mês de janeiro último, a transnacional fechou acordo para financiar as perdas de US$ 2,13 bilhões, com prazo de nove anos, além de seis meses de carência. Outros cerca de US$ 500 milhões foram incluídos no mesmo pacote.